- Seremos melhores.

         

       Quando o Brasil ganhou a Copa no México, havia quem garantisse que “seríamos melhores”.  Eram tempos difíceis com um governo autoritário, mas se falava em milagre econômico e quem não tivesse amor ao país deveria ir embora.  No entanto, o povo se uniu em torno daquela conquista que resgatou nosso orgulho e trouxe definitivamente a Taça Jules Rimet,

          Não melhoramos e a repressão aumentou.  Anos mais tarde, até a taça foi derretida num roubo mal esclarecido.

          O país ouviria de novo a afirmação de que “seremos melhores”.      

         Quando a “Diretas já” passasse e o eleitor elegesse o presidente da República.  A “Diretas já” não passou e a melhora ficou para depois da posse de Tancredo Neves que não aconteceu porque o presidente morreu antes de colocar a faixa presidencial.  Veio Sarney com o Plano Cruzado que fracassou, depois, Collor prometia o “novo” na política, esse “novo” seria um país sem corrupção e privilegiados.  Mas não foi dessa vez que “fomos melhores”

          Quando um brasileiro que viesse do povo chegasse à Presidência da República, “seremos melhores” e, depois de curta euforia com o ex-retirante da seca nordestina e ainda por cima ex-operário, o país não melhorou e velhas mazelas ressurgiram.  De tropeção em tropeção, a extrema direita chegou ao poder e repete antigas promessas de nova gestão sem conchavos, corrupção e um estado mínimo. 

Até agora, desastres ambientais se repetiram em Minas, no litoral nordestino, na Amazônia e trombamos com uma pandemia.

Na quarentena, o brasileiro volta a repetir que “seremos melhores” depois que tudo isso passar.  Afinal, aprendemos a importância da solidariedade, da convivência e do trabalho de categorias empenhadas em superar o pânico na Saúde. 

Há os que acusam a pandemia de ser uma conspiração da esquerda, da mídia, do comunismo internacional e dos que perderam a mamata. Se o comunismo internacional fosse tão poderoso assim, o Muro de Berlim não teria caído e a União Soviética ainda estaria de pé.  Tem a China, certo. Mas a China é comunista mesmo? A Coreia do Norte não consegue sequer anexar a do Sul e Cuba está num dilema de se transformar ou se isolar mais ainda.  A Venezuela é só um exemplo de que militares não são bons governantes quanto muitos imaginam. E, se os que perderam a mamata fossem tão poderosos assim, nunca a teriam perdido. 

“Seremos melhores”? Há quem torça que sim, há quem duvide.  Primeiro, precisamos vencer a pandemia, quebrar o isolamento, voltar à vida normal.  Depois, contabilizar mortes e perdas.  Por aí, vem um período duro.  É sempre bom manter a esperança.  Mesmo sabendo que já houve perspectivas de que “seremos melhores”.   Vem aí mais uma oportunidade para isso.  É pegar ou largar.

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