Leia

 

 

 

 

 

 

-Movimentos separatistas

                                                               

 

        A Europa tem um furor separatista na Ucrânia, na Escócia, na Catalunha e em outras regiões.  Isso me intriga porque - para mim e acredito para a maioria dos brasileiros - é quase impossível entender.  Nunca vi diferença, por exemplo, entre ingleses e irlandeses.  No entanto, a história mostra que são completamente diferentes.  E entre irlandeses, há divergências marcantes.  O mundo reduz tais oposições com o adjetivo britânico que generaliza e não sei se é bem aceito por aqueles povos.

        Belgas não gostam que os confundam com franceses.  Até mesmo os 'francófonos', falantes da língua francesa.  Uma vez, um belga me disse que confundir o povo dele com franceses é uma falha tão grosseira quanto falar que argentinos e brasileiros são a mesma coisa.    Aí, eu entendi a dimensão exata desse erro.

        No Brasil, houve revoluções separatistas como a "Confederação do Equador", movimento republicano ocorrido em 1824 no Nordeste cuja figura mais conhecida é Joaquim do Amor Divino Rabelo, o Frei Caneca que virou nome de muitas ruas por diversas cidades brasileiras.  A revolução constitucionalista de 32 teria intenção de separar São Paulo e a "Revolução Farroupilha" desmembrou por breve tempo o Rio Grande do Sul.  Uma minoria sulista, volta e meia, fala em rompimento.  Na época em que Brizola era governador e o pessoal contra ele nutria ódio a gaúchos em geral, falou-se muitas vezes que um movimento ia separar Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul declarando guerra ao resto do país. Teríamos uma "Guerra da Secessão" igual a dos Estados Unidos e uma vizinha com quem me encontrava sempre na feira da Boa Viagem garantia que Brizola era o mentor do plano.  Na versão dela, o então governador usava até a Rádio Roquette Pinto, emissora oficial do estado, para fomentar a revolta, atitude semelhante a que tivera na década de 60 quando comandara  a  "Campanha da Legalidade", luta para garantir a posse de João Goulart na Presidência da República.

        Na verdade, o máximo de separação territorial que testemunhei foi de uma turma a favor da volta da Guanabara o que faria a capital fluminense de novo estado cidade separado do Estado do Rio de Janeiro.  Como carioca não quero abrir mão de Búzios e Icaraí, por exemplo; e, morando tantos anos em Niterói, me frustraria  a perda do Rio como capital do estado onde vivo.

        Aliás, li uma entrevista do ex-prefeito Israel Klabin revelando que houve um plano dos militares para desfazer a fusão e ele teria sido nomeado para levar a intenção adiante.  No entanto, felizmente, continuamos um estado só.

        Para a música brasileira, a onda separatista tem um dado importante: "Touradas em Madri", marchinha de João de Barro e Alberto Ribeiro sofrerá alteração.  Se a Catalunha se tornar independente, a letra não pode mais falar:

"Conheci uma espanhola natural da Catalunha. Queria que eu tocasse castanhola e pegasse touro a unha."  

        A catalã, personagem da canção, não será mais espanhola e não sei que solução se arrumará.  Sugiro, conheci uma mulher natural da Catalunha.  Uma catalã não muito hospitaleira que manda um visitante pegar um touro a unha.  Aliás, a tourada está abolida na Catalunha e dizem que foi 'só' para magoar o povo de Madri.

        Na capital espanhola, um motorista de táxi me resumiu o sentimento do madrileno em relação aos catalãs separatistas: "Que se van y tarde."

        O negócio é sério e eu aqui preocupado com a marchinha do João de Barro e Alberto Ribeiro.