Leia

 

 

 

- Sem tradução

 

    Games of Thrones e Thirteen Reasons Why são dois exemplos da tendência de não se traduzir os títulos de seriados.  Esse hábito se estendeu ao cinema que manteve La La Land e, em Moonlight, adicionou o subtítulo de “Sob a luz do luar”.  Com a justificativa de que o inglês é uma língua universal, brasileiros começam a aceitar tal imposição e acham até que confere certo charme manter o título na língua inglesa. 

        Em Portugal, os títulos das séries são traduzidos, mas brasileiros não gostam de seguir portugueses no respeito à língua.  Inclusive, rejeitam os colonizadores lusitanos alegando que, se fossem os ingleses, atualmente, teríamos ao menos a vantagem de ter o inglês como idioma nativo.  Como se nada tivéssemos a ver com a língua portuguesa.  Logo nós que somos mais de 200 milhões. Portanto, responsáveis pela continuidade do idioma que, com esse número expressivo de falantes, não cairá em extinção.

        Porém, brasileiros veem dificuldades na língua portuguesa que seria difícil comparada com o inglês. Acredito que, por ouvir inglês desde cedo, tenhamos essa noção de que entendemos a língua que soa como fácil.  No entanto, separar sílabas em inglês é extremamente complicado e a grafia também.  Além do mais, a dificuldade de uma língua está no sentido conotativo de suas palavras. Isto é, na mudança de significado de acordo com o contexto.  No português, manga pode ser fruta ou parte de uma camisa ou o verbo mangar, debochar.

“Chupei uma manga, sujei minha manga e ele manga de mim por causa disso.”

  Não acredito em alguém que faz traduções sem dominar a língua original da obra e a língua para a qual a obra será transcrita. Senão, bastaria pegar um dicionário que traduziríamos uma criação literária de qualquer língua para outra.  

  Esses tradutores da Internet mostram como isso não acontece.  Certa vez, pesquisava um crime que ficou conhecido como “O Caso da Dália Negra” cuja vítima se chamava Elizabeth Short. Teclava o nome dela e aparecia Elizabeth pequena. 

        É claro que sou contrário ao isolamento e acho importante o aprendizado de muitas línguas.  O inglês é fundamental por causa da tecnologia e da globalização; o espanhol, idem.  Mas é preciso valorizar o português e transformá-lo também num idioma universal.  Uma população como a brasileira tem força para isso.  Além do mais, essa nossa predileção pelo inglês faz com que desconheçamos artes de outros países.  No rádio, só se ouve música em inglês.  Cadê as canções francesas, italianas ou hispânicas?  A língua inglesa como preferencial nos afasta do mundo quando deveria nos aproximar.

 Sou a favor da tradução dos títulos dos seriados.  O argumento de que não há tradução não é verdadeiro.  Sempre há uma expressão em português para expressar o significado original.  Se não houver, que se invente, mas em português.