- São Sebastião do Rio de Janeiro.

        Ao contrário do que se pensa, São Sebastião não morreu flechado mas decapitado pelo imperador Dioclesiano.  Depois das flechadas, naquela clássica imagem amplamente divulgada, o corpo do mártir foi jogado num rio de onde seria salvo por Santa Irene.  Recuperado, voltou a proclamar a fé cristã e, aí sim, definitivamente morto. 

        São Sebastião se tornou padroeiro do Rio porque os portugueses associaram o santo ao rei de mesmo nome que sumiu numa batalha contra os mouros.  A lenda diz que um vulto incentivava meus antepassados contra os franceses que tinham tomado nossa cidade para torná-la capital de uma França protestante.  Aquela sombra seria do santo Sebastião avisando que o rei xará exigia uma vitória.  Por isso, surgiu a mui leal e heróica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. 

Num tom de graça, costumam dizer que marinheiros experientes como os lusitanos teriam confundido a baía com um rio e, devido a tal engano, a cidade foi batizada como Rio mais Janeiro porque esse foi o mês de sua descoberta.  No entanto, há outra versão (que julgo mais plausível) de que a cidade se chamava Ria (baía) de Janeiro e virou Rio porque o masculino facilitava a pronúncia.

Como o 20 de janeiro é feriado, muitos o confundem com o aniversário da cidade que é Primeiro de março quando não se folga no Rio a não ser que – por coincidência – caia num domingo. Porém, a rua Primeiro de Março, no Centro do Rio, não é uma homenagem à Fundação da Cidade mas ao final da Guerra do Paraguai que foi num primeiro de março só que em 1870. 

Há inúmeras músicas falando do Rio e é difícil pinçar uma que represente a atual capital fluminense que já foi Distrito Federal e Estado da Federação.  De todas, escolho “Valsa de uma cidade”, de Ismael Neto e Antônio Maria.  O primeiro, paraense que integrou o conjunto Os Cariocas; o segundo, pernambucano que era admirado por Vinícius de Moraes.  Para cantar, um carioca de nascença vai bem: Tim Maia.  E por que “Valsa de uma cidade”? Porque fala:

"Rio de Janeiro, gosto de você.  Gosto de quem gosta deste           céu, deste mar, desta gente feliz.". 

O mar está aí, o céu também que se espalhe esta gente feliz. 

No dia do padroeiro da cidade onde nasci, torço para que gente feliz se esbarre pelas ruas cariocas mesmo com o prefeito que não me inspira confiança, um governador pelo qual simpatia alguma tenho e com aquele outro na Presidência que diz amar aquele dos Estados Unidos.

   Que São Sebastião nos proteja desses e de outros perigos!