- Povo não é bobo!

          Em 1986, Darcy Ribeiro era o candidato do PDT ao governo do Estado do Rio de Janeiro.  Com apoio de Brizola e levantando a bandeira do projeto educacional dos Cieps, Centros Integrados de Educação Pública, Darcy Ribeiro era a oposição ao Governo Sarney que exibia o trunfo do “Plano Cruzado”, uma das muitas tentativas de estabilização da Economia brasileira.  Do outro lado, Moreira Franco prometia trazer os recursos federais para o estado, acabar com a violência em seis meses e tirar o estado da incômoda oposição a Brasília.

          Na Rio Branco, a passeata a favor de Darcy Ribeiro foi monumental com gente que não acabava mais e o refrão: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!”  Também havia palavras de ordem contra os institutos de pesquisa que estariam manipulando os números a favor do candidato sarneysista.

          No sábado, véspera da eleição, O Dia (jornal de alcance popular na época) publicou uma carta do presidente da República pedindo voto para Moreira Franco.  Sarney garantia que a eleição de Moreira facilitaria o Governo Federal na vitória contra a inflação.  Brizolistas xingaram o jornal de entreguista por ter divulgado a carta na véspera da eleição o que não daria tempo para um “direito de resposta”, isto é, a exigência na Justiça de responder ao presidente.  A carta seria a prova de que a imprensa estava comprometida com a candidatura que não representava os anseios do povo brasileiro que sonhava com a libertação do país.

          O candidato de Brasília venceu, o Plano Cruzado naufragou, Sarney teve o índice de popularidade no chão e o governo de Moreira foi um fracasso.

          A ira contra a imprensa e as acusações de favorecimento a alguém são antigas.  Brizola e PT acusaram a Rede Globo de cúmplice da direita.  A mais grave acusação petista foi a edição manipulada do último debate entre Collor e Lula, na campanha presidencial de 1989.  O debate fora na véspera e muito tarde.  Por isso, no Jornal Nacional, a edição desfavorável a Lula fora a informação para grande parte do eleitorado que dormira sem assistir ao embate. 

          Collor venceu, confiscou a grana do brasileiro (na campanha, Collor dizia que o PT é que faria o confisco em caso de vitória), foi impedido, Itamar consertou o Brasil, Fernando Henrique implementaria algumas ideias neoliberais em dois mandatos e Lula conseguiria se eleger, se reeleger, eleger Dilma, reeleger a presidenta e chegamos a Bolsonaro.

          Os apoiadores de Bolsonaro acusam a Globo de ser um “antro de esquerdistas” cujo objetivo seria desestabilizar o presidente que cortou verbas da emissora.  Por isso, a Globo estaria desesperada.  Ainda mais, que - além de perder verbas – teria uma dívida em impostos que já foi de 200 milhões de Reais, saltou para 1 bilhão e, atualmente, anda por volta de 10 Bilhões.  

          Bolsonaristas elegeram a “Globolixo” como inimiga e só confiam em outras emissoras isentas que estariam fazendo um bom jornalismo.  Nas ruas, cercam globais.  Se há algum repórter da Globo, invadem a reportagem.  Convocam para um boicote à empresa que parece não estar acontecendo.  Afinal, volta e meia, sempre surge uma crítica à programação que bolsonaristas garantem não ver.   Mais ainda, a audiência da Globo, segundo os seguidos do presidente, desaba sem credibilidade.

          De 1986 a 2020, eleger um órgão de imprensa como inimigo é tática de diversos grupos políticos com as mais diversificadas ideologias.  Portanto, acredite quem quiser e não há como argumentar o contrário.  Quem o faz, será acusado de cúmplice da imprensa suja que distorce o noticiário para prejudicar direita, esquerda, centro e etc.

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