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- Pontos de umbanda

 

 

                No Rio, a umbanda sempre teve inúmeros adeptos e, na Baixada Fluminense, diziam que os terreiros de umbanda predominavam.    

        Tambores e pontos ainda ecoam por aí sendo que muitos foram chupados na música popular.  Há canções de sucesso que beberam nos terreiros ou simplesmente copiaram sem o devido registro.

        Havia um ponto que falava sobre a flor de Jurema que poucos sabiam do que se tratava.  Outro perguntava a São Cosme e Damião por Dom Um que estaria passeando no cavalo de Ogum.  Dom Um é um Cosme e Damião pequeno representando as crianças que se divertiam correndo atrás de doces no dia dos santos médicos. 

        Aliás, nos dias dos santos gêmeos, os terreiros eram invadidos por espíritos de crianças.  Isto é, os médiuns recebiam os inocentes.  Um deles, Robertinho da Praia - chamava a atenção em Jacarepaguá porque baixava no corpo de uma portuguesa.  Com linguajar infantil num forte sotaque lusitano, a incorporada pedia pirulito abençoando os pequenos que se aproximavam.

        Umbandistas anteciparam a festa de Iemanjá por causa da queima dos fogos que invadiu a orla marítima.  Porém, houve um tempo, quando o dia 31 de dezembro era das entidades, orixás, tambores e pontos de umbanda.  Dizem que o crescimento das confissões evangélicas teria contribuído para esse afastamento.  Se verdade, houve uma regressão porque – na época em que pontos de umbanda ecoavam - as diferentes crenças conviviam.  A mesma vizinha portuguesa que recebia Robertinho da Praia comungava na missa de domingo.

        Os pontos de umbanda soavam longe.  Talvez, existissem mais terreiros naqueles tempos ou - atualmente - tal opção religiosa lance mão de locais com tratamento acústico respeitando a lei do silêncio.  Nas rádios, programas com outras denominações avançaram substituindo as músicas de terreiro, inspiradoras de tantos compositores populares. 

    Hoje, até aquele ponto sobre Dom Um que passeava no cavalo de Ogum seria patrulhado pelo pessoal contrário a cavalo puxando charrete em Petrópolis e Paquetá.