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- Mão inglesa, realeza e Oscar Wilde

        A mão invertida no trânsito inglês pouco impacto me causou mas os engarrafamentos londrinos me surpreenderam.  Os homens ingleses não me pareceram tão altos como ouvia dizer.  Talvez porque, na menção ao tamanho, escondia-se uma comparação cujo objetivo era colocar nós brasileiros na inferioridade.  No entanto, andando nas ruas, percebi que a maioria tinha altura semelhante a minha.  Um brasileiro que, com 1,78; não chega a ser tão alto assim.

           Difícil é entender a manutenção da realeza na Inglaterra, uma família que nada faz e custa muito aos cofres públicos. Nos jornais impressos (e ainda são inúmeros no Reino Unido), o príncipe consorte (marido da rainha) é manchete anunciando que se afasta da vida pública por causa da idade avançada.  O que faz um príncipe consorte e que falta fará na política inglesa?

 Houve um tempo quando admirei a monarquia.  Isso porque, com o objetivo de magoar a nós cariocas, os inimigos – muitos nem inimigos eram, chatos ou invejosos - diziam que nenhum presidente da República nascera no Rio.  Como não existia presidente carioca (Nilo Peçanha não valia porque era fluminense.), o Rio seria uma cidade menor.  Logo descobri a resposta para desmontar a afronta: no Rio, nascera Dom Pedro II, único monarca das Américas.  Portanto, não tínhamos conterrâneos presidentes, mas um imperador, a princesa Isabel e outros membros da família real. 

Depois, surgiram presidentes nascidos no Rio: Figueiredo, Collor e Fernando Henrique.  

Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte formam o Reino Unido e a República da Irlanda é independente, um país onde mora uma gente gentil e sorridente, características que nos mostram logo que irlandês não é inglês.

       Em Dublin, há estátua de Oscar Wilde além da casa onde o escritor morou.  O motorista irlandês me ensina que a pronúncia do sobrenome do autor é UAIILLLDE e vou repetir sempre embora pareça um pouco pernóstica.  No entanto, faço questão do acento da Irlanda para homenagear o escritor que me fez descobrir a literatura.  Menino, ganhei de meu pai uma enciclopédia na qual encontrei os contos do irlandês.  “O rouxinol e a rosa”, “O príncipe feliz” e “O amigo dedicado”.  A partir dessa leitura, parti para outras decidindo que a literatura seria a arte maior da minha vida.  Por isso, andar em Dublin assumiu a forma de expressar minha gratidão a Oscar Wilde cujo túmulo em Paris não visitei porque meu desejo era homenagear o escritor vivo e tal só se consegue na capital irlandesa.