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- Conhece o toalhinha?

 

        No anoitecer, brotam do chão invadindo as ruas de inúmeros bairros.  Nos finais de semana, a invasão começa mal o dia amanhece e a ocupação entra pela noite.  São os flanelinhas oferecendo vagas para estacionamento e cobrando qualquer dois, cinco ou mais Real.

Nunca entendi o motivo de alguém cobrar para se estacionar em local público sem ter qualquer autorização para isso e o fato de uma pessoa ter carro não faz dela um endinheirado com a obrigação de distribuir gratificações.  E mais: se alguém quiser roubar ou danificar o veículo? Que poder ou força tem o flanelinha para impedir? Sem contar que o poder público pode remover um veículo autorizado pelo flanelinha e não há com quem reclamar. 

        Excluído, fruto do desemprego, já ouvi inúmeras justificativas para o flanelinha.  Inclusive, sou testemunha de gente que ficou a favor do guardador ilegal quando houve tentativa de reprimi-lo.  O argumento era de que “se ele estivesse roubando”.  Como se exigir dinheiro de alguém por algo que não se tem competência não fosse ilegal também. 

Atualmente, os flanelinhas não contam mais com a simpatia do passado, mas não desaparecem.  A repressão teria de ser da Polícia Militar que exige a presença da vítima do flanelinha na DP prestando queixa.  Nisso, há o medo e o inconveniente de perder tempo numa repartição policial.  E aí, no entorno dos bares, restaurantes, perto dos eventos e em vários pontos de muitas cidades, quando não há os guardadores oficiais ou os estacionamentos legalizados cujos preços são um disparate, o flanelinha se faz presente.  A maioria intimidando com cara feia e linguajar pouco educado. 

Uma professora aposentada deu entrevista revelando um temor surpreendente.

- Meu medo é que um dia, além dos flanelinhas,  apareçam os toalhinhas.

- Toalhinhas?!

- É.  Um cidadão que vai cobrar vaga a quem anda a pé. Você para no ponto de ônibus e o toalhinha vai cobrar pelo espaço ali, entendeu?  Sentou num banco de praça, toalhinha vem pedir o dele pela vaga. 

        De repente, já que deram ideia....