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                                                                                                              -  O pequeno jornaleiro

 

       

         

 

         Na rua Miguel Couto (ligando Ouvidor com Rio Branco, Centro do Rio) existe a estátua do Pequeno Jornaleiro, menino que vendia jornal.  Atualmente, menores não podem trabalhar e a intenção é boa se - em vez de viverem nas ruas - estivessem nas escolas públicas em tempo integral, um sonho que tenho para a Educação brasileira. 

        Antes da discussão se o jornal impresso está ou não extinto, os pequenos jornaleiros desapareceram e sumiram junto com as edições extras.  Nos filmes do passado, às vezes, tinha um menino acenando com um jornal gritando: "Extra! Extra!".  Assim, de repente, só lembro duas edições extras: quando o Brasil foi tricampeão no México e na primeira visita do papa João Paulo II ao Brasil. 

        Aliás, na Inglaterra, chama a atenção o número de tabloides nas bancas.  No Reino Unido e na República da Irlanda, veem-se muitos jornais impressos o que pode ser um indicativo de que essa mídia ainda tenha, ao contrário do que se diz, longa sobrevida.

        Minha mãe cantava uma música de Heitor dos Prazeres que falava sobre um pobre jornaleiro anunciando: "Olha A Noite!".  A Noite era um jornal importante que não existe mais e essa canção que poucos recordam foi a primeira gravada por Wanderley Cardoso. 

Os jornaleiros de rua persistiram ainda nos sinais de trânsito durante até a década de 80.  No entanto, os jornais impressos foram diminuindo e, tão poucos resistiram, que já não compensava vendê-los entre o trânsito aguardando a abertura do sinal.  Aliás, o que – nestes tempos de insegurança – representa perigo.  Além do mais, as assinaturas de jornais ajudaram na extinção desse comércio urbano.

        Portanto, antes da discussão sobre o domínio da Internet, é bom lembrar que - aos poucos - a divulgação da informação foi se extinguindo ou se transformando.  Desde o pequeno jornaleiro até os Nerds que dominam a Internet, a estratégia de fazer a informação se espalhar foi se modificando. 

        Por causa das obras do VLT, a estátua do pequeno jornaleiro ficou fora da rua Miguel Couto por três anos.  Agora, o guri simulando  o grito do nome do jornal enquanto exibe o exemplar volta ao seu lugar.  Ali, um menino aprendeu a se orientar pelo Centro do Rio.  A estátua o guiava pelas ruas que ao garoto pareciam tão iguais.  O ponto de referência está lá de novo, o menino não existe mais.  No entanto, o homem que ele virou está aqui para contar essa história.