- Nomes de rua

         Em Maceió, a beleza de uma rua me encanta e pergunto ao taxista o nome da via.   Ele responde que é conhecida pelo nome tal, mas, oficialmente, se chama Fulano de tal, um dos marajás que Collor teria caçado.  Além da surpresa de um símbolo da corrupção que o então futuro presidente usaria em campanha para se projetar nacionalmente como inimigo dos corruptos virou nome de um caminho, lembrei o hábito comum de se chamar uma rua por um nome que não é o oficial.

 Em Niterói, há a Estrada da Cachoeira que, na verdade, é Avenida Rui Barbosa.  No Rio, a rua das Marrecas chegou a se chamar Juan Pablo Duarte. Porém, como o nome não pegou, voltou ao antigo, homenagem a prostitutas que tinham casas no local.

A Ponte Rio-Niterói é designada pelo nome de um marechal que bateu ponto como presidente da República durante o governo civil-eclesiástico-militar instalado em 64.  Sugeriram chamar a ponte de Betinho, em homenagem ao irmão do Henfil.  No entanto, como não se viu possibilidade da ponte deixar de ser chamada pelo povo por Rio-Niterói, a ideia ficou de lado.  Aliás, uma praça ao lado do estádio do Maracanã lembra o general em cujo governo as violações aos Direitos Humanos foram mais frequentes.  Felizmente, pessoa alguma se refere ao espaço pelo nome dele.

         Outras ruas, são interessantes pelos nomes diferentes.  

         Na Saúde, Centro do Rio - região de forte influência portuguesa onde nasceu Machado de Assis – existe a Rua do Jogo da Bola.   O nome não seria em homenagem ao futebol, mas ao jogo de bocha, esporte praticado com mãos e pés que ainda existe por aí.  Outra explicação,  tem origem nas bolas presas aos pés dos escravos que desembarcavam no Cais do Valongo.   No Rio Comprido, bairro central carioca, uma rua foi batizada de Chuva de Prata.  Quando perguntam se é em homenagem à música de Ed Wilson e Ronaldo Bastos cuja gravação mais conhecida é a de Gal Costa, não há quem saiba responder.

         Na música popular brasileira, Ismael Silva compôs:

“Existe muita tristeza/ Na rua da alegria/ Existe muita desordem / Na rua da harmonia”

         Vinícius de Moraes também lançou mão de nome de rua no poema (depois musicado por Sergio Bardotti) que fala de uma casa engraçada sem paredes ou teto ou chão que ficava na “Rua dos Bobos, número zero”.

         Ruas, pontes, becos, vielas, avenidas, estradas e atalhos são veias correndo pelas cidades e seus nomes deveriam ser escolhidos pela gente que usa essas passagens.  Afinal, só os passantes são capazes de extrair a alma desse chão onde deixam parte de suas vidas.