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¡¡No pasarán!!

 

Na guerra civil espanhola, escolheria Largo Caballero contra Francisco Franco, é claro. Afinal, na Brigada Internacional seguindo os republicanos, lutaram escritores como George Orwel e, em “Saga” romance de Erico Veríssimo, até Vasco (o primo e marido de Clarissa) foi à luta pela Espanha democrática.  Aliás, a Guerra Civil espanhola teria servido de laboratório para os nazistas que bombardearam a cidade de Guernica, inspiração ao quadro de Picasso que atrai multidões no Museo Reina Sofia.

A frase emblemática da guerra foi ¡¡No pasarán!! grito que Dolores Ibárruri, La Pasionaria, lendária comunista basca adotou como lema para impedir que as tropas de Franco entrassem em Madri. Mas o ditador passou e ironizou a adversária dizendo: “Passamos.”. A frase teria origem na Primeira Grande Guerra e foi pintada numa faixa pelo pintor Ramón Puyol. Volta e meia, alguém repete “Não passarão” em manifestações contra forças poderosas que desejam oprimir o povo, porém (segundo os manifestantes) serão derrotadas.

“Não passarão” é a repetição da antiga ideia de que o mal não pode vencer o bem. Por isso, tanta certeza na rejeição às forças malignas que avançam. “Não passarão” disse alguém na passeata contra o impeachment de Dilma ou quando as tropas do Mourão (Olímpio e não o Hamilton ) começaram a avançar para executar o golpe de 64. Lembro ter ouvido quando queriam nos fazer engolir a farsa de que Wladimir Herzog havia se matado nos porões do Doi Codi. Na Candelária, no sonho dos “Direta Já”, “Não passarão” foi repetido na certeza de que a democracia venceria no fim mas o fim custou a chegar.  Antes, eles passaram várias vezes.

Torcer pelo mais fraco é comum.  No futebol (quando nosso time não está jogando), é assim. Na vida, é assim também. Não se torce pelo Golias, mas por David, tão frágil. Com certeza, se a frase já existisse, os hebreus teriam gritado “Não passarão” aos filisteus. Por isso, a frase continua viva e repetida.  É uma forma do perseguido se sentir forte, do excluído pensar que tem a solidariedade dos outros.

Os ditadores podem ter vencido algumas ou várias vezes, mas “Não passarão”.  Em algum lugar, a faixa será estendida e todos os famintos do mundo estarão representados.

               “Não passarão!”

                Apesar de tudo, acreditem.