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- Mamãe eu quero

             

         José Luis Rodrigues Calazans ficou conhecido pelo apelido de Jararaca e sua parceria mais constante foi com Severino Rangel de Carvalho, o Ratinho.   No entanto, o maior sucesso musical de Jararaca é “Mamãe eu quero”, música que compôs com Vicente Paiva, maestro de grande importância na cultura brasileira nos anos 30 e 40.

            Jararaca contou que não acreditava em “Mamãe eu quero” cuja letra não tinha muito sentido.  Por isso, o outro lado do disco (na época, se gravava um único produto com lado A e lado B), na opinião de quem estava no estúdio, faria maior sucesso.   Todos se enganaram porque “Mamãe eu quero” é cantada até hoje no Brasil e no mundo.

“Mamãe eu quero, mamãe eu quero

Mamãe eu quero mamar

Dá a chupeta, dá a chupeta, dá a chupeta pro bebê não chorar

Dorme filhinho do meu coração

Pega a mamadeira e entra no meu cordão

Eu tenho uma irmã que se chama Ana

De piscar o olho já ficou sem a pestana.”

            A música estourou como um fenômeno nos bailes de carnaval e nos blocos.  Ao lado de “Cidade Maravilhosa”, André Filho; e “Está chegando a hora”, versão de Rubens Campos e Henricão (embora Carmem Costa tenha me falado que fez a letra em cima de “Cielito lindo”, música mexicana que ouviu num evento em Recife), “Mamãe eu quero” ainda é uma das mais executadas no carnaval.  A letra tem um outro pedacinho:

“Eu olho as pequenas, mas daquele jeito

E tenho muita pena não ser criança de peito

Eu tenho uma irmã que é fenomenal

Ela é da bossa e o marido é um boçal.”

       Uma das histórias mais interessantes sobre essa música foi contada por Nora Ney que, nos anos 50, participou de uma excursão à União Soviética.  O grupo de artistas e intelectuais, coordenado por Jorge Amado, viajou a países comunistas e isso teria contribuído para que fossem cassados na Rádio Nacional quando estourou o golpe de 64.

        Nora Ney disse que encontrou um brasileiro morando num país do interior da União Soviética.  Ele era cantor e estava na Alemanha quando o nazismo começou a ascensão.   Negro e estrangeiro, o brasileiro tratou de fugir e só encontraria lugar seguro naquela república satélite de Moscou.  Cantor, vivia de shows e o grande sucesso do repertório dele era “Mamãe eu quero”.  No auge do Stalinismo, um dos fiscais do governo, quis saber o que a letra falava.   Diante de uma comissão stalinista, o cantor precisou traduzir o que cantava com tanto sucesso e repercussão. 

-  Mamãe eu quero.... mamãe eu quero....

           E finalizou:

- Mamãe eu quero trabalhar.