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- Lula livre?!

 

         Na ditadura, quando cursava a Faculdade de Letras, ouvi falar pela primeira vez em Lula, um operário de São Paulo com discurso engajado que chegara ao Rio para um encontro com lideranças políticas.  A voz rouca e os erros de português causaram estranheza, mas os intelectuais reconheciam a liderança necessária e incontestável representada por ele.

         Vieram o PT, manifestações políticas e movimentos sindicais com Lula à frente ou ao lado.  Retirante da seca nordestina e operário; portanto alguém capaz de entender sonhos e reivindicações do povo brasileiro. 

Com Lula, tive aproximações e rejeições.  Na minha cabeça, o projeto de Educação de Brizola era prioritário e até concordei com a expressão “sapo barbudo”, uma das muitas criações da verve brizolista. O apelido significava que Lula não era confiável, mas teríamos de engolir o petista.   

Havia um troço qualquer em Lula que não me inspirava confiança.  No entanto, votei nele contra Collor embora reconhecendo a participação fraca no debate do segundo turno.  Àquele que petistas garantiram ter sido editado para ajudar na vitória “colorida”, projeto que naufragaria com o impeachment apoiado pelo PT.

         Lula chegou à Presidência e fez um governo comum sem as grandes transformações que eu esperava.  Os bancos continuaram lucrando, as privatizações não se alteraram e poucas mudanças houve na Educação.  De repente, veio o escândalo do “Mensalão” envolvendo figuras símbolo do PT como José Dirceu (com quem nunca simpatizei) e José Geroíno (esse sim, me inspirava simpatia).  Lula foi fraco repetindo que não sabia de nada e deveria se esperar a Justiça para punir os culpados.  Lembrei o general Figueiredo no episódio do RioCentro que repetiu mais ou menos o mesmo para justificar a impunidade no caso da bomba que tinha por objetivo detonar a abertura política.

         Não voto no PT faz tempo, mas sou contra esse ódio que alguns têm a Lula.  Na Internet, li que ele seria “o maior ladrão da história” o que não é verdade.  A mesma classe média que lotava Miami e comprava carro zero no governo dele, destila uma raiva fora do comum.  Não só contra Lula, mas contra Chico Buarque e outros que apoiaram o ex-retirante da seca nordestina e ex-operário.  Parece que não entendem alguém assim ter subido socialmente.  Outros dizem que petistas (ou petralhas como gostam de falar) fazem o mesmo em relação a Maluf.  Não sei se é verdade porque o PT andou namorando o ex-inimigo.  Até Delfim Neto elogiou o Partido dos Trabalhadores.

         Lula foi condenado num processo dirigido por um juiz que nunca me inspirou confiança.  Agora, houve a decisão do Supremo (o mesmo STF que barrou a candidatura lulista à Presidência da República) e Lula está na rua.  Não compartilho da opinião de que ele é inocente.  Tampouco acredito que seria a salvação nacional.  

O que eu gostaria mesmo é de que deixassem Lula de lado e as pessoas de boa vontade se unissem para tocar o Brasil que está muito mal parado.