Leia

 

 

 

- Leitura roubada.

         O inimigo da leitura era o gibi, história em quadrinhos, revistas com aventuras contadas quadro a quadro que inoculariam preguiça na garotada.  Depois, a televisão foi a grande responsável pelo abandono dos livros.  Havia meninas e meninos que gostavam de gibis, viam tevê e liam.  Em outros países, quadrinhos proliferavam, tevês estavam em estágio mais avançado e o povo lia. 

         No Brasil, o lamento de que não se lê é repetido feito mantra.

- Jorge Amado é muito lido. - o defensor da leitura lembra.

- Porque é comunista. - responde o coveiro da leitura.

- Érico Veríssimo também é muito lido. – insiste o primeiro.

- Porque deu aula nos Estados Unidos. - responde o outro.

         A literatura brasileira perdeu escritores como J G de Araújo Jorge, best-seller de poesia; José Mauro Vasconcelos, fenômeno de vendagem, Marilia São Paulo Penna e Costa, escritora de romances de costumes que atraíam leitores; outros tantos nomes não são mais sequer lembrados.           Tentam o mesmo com Paulo Coelho que foi até viver na Suíça.  Uma profissional dos livros declarou num programa de tevê que os europeus leem Paulo Coelho sem o identificar como escritor brasileiro.  Como um carioca escrevendo em português do Brasil pode não ser considerado escritor brasileiro?  Se for verdade, seria preciso um movimento de dentro do Brasil para mostrar a brasilidade dele.

         Agora, um poeta que declama num programa de tevê e posta na Internet vendeu 20 mil exemplares de um livro ainda não lançado.  Portanto, televisão não rouba leitores tampouco a Internet.  Pelo contrário, divulgam.  Inacreditável é que muitos que acusam tevê e Internet de roubar leitores, ouvindo esse argumento, vão dizer:

“Também, declama na tevê e bota na Internet.  Por isso, vende tanto livro.”

         A tecnologia não é inimiga quando pode divulgar a literatura.   Nada morre por causa de uma inovação tecnológica.  O teatro morreria por causa do cinema, o rádio por causa da tevê; teatro, cinema, rádio e tevê por causa da Internet.  Por que tudo não pode conviver?

         É claro que o mundo se modifica e é preciso se adaptar ao novo.  Isso não significa sucumbir. 

         Há um argumento de que a informatização acaba com empregos porque um mesmo trabalhador pode realizar o trabalho de quatro.  Então, não acabou com empregos porque as tarefas continuam e são realizados por um funcionário.  O que o dono do capital não quer é pagar o salário de quatro para esse que produz pelo quarteto. 

         Desde os tempos quando a tecnologia mais avançada era a pedra lascada, o que uns e outros não gostam é de dividir o lucro.

 A culpa não é da tecnologia.