- Jornais emagreceram

 

      Houve um tempo quando os jornais eram robustos.  Quem leu as edições de domingo de O Jornal do Brasil ou de O Estadão sabe do que falo.  Havia cadernos e mais cadernos que se juntavam aos Classificados fazendo da edição dominical uma tora que chamavam tijolaço.   

      Atualmente, as edições de domingo dos jornais remanescentes são minguadas e os classificados se reduziram.  Será que não se procura mais imóvel para comprar e alugar? E emprego? O Jornal do Brasil de domingo tinha tanta oferta que ficava difícil dizer que não se arrumava emprego.  Impossível naqueles classificados não encontrar uma vaga que fosse no mercado de trabalho.  É o que diziam embora o desemprego ronde o brasileiro há anos.

      Os jornais foram sumindo através do tempo sob muitas desculpas.  Crise do papel, crise do Petróleo, avanço da televisão, perda do poder aquisitivo ou desinteresse pela leitura.  Na minha infância, lia o JB de manhã e esperava meu pai chegar do trabalho com O Globo vespertino.  Naquela época, havia jornais que a gente encontrava nas bancas de manhã e outros, à tarde.  Domingo, ainda tinha o O Jornal com o Suplemento Juvenil. 

      E vou contar algo inacreditável eu vi edições extraordinárias de jornais.  Aquelas edições que saíam fora do horário normal da distribuição.  Quando o papa João Paulo II visitou o Brasil pela primeira vez, vi um homem com um maço de jornais anunciando a Edição extra de O Globo em plena Saens Peña.  Tinha gente comprando não só para ler na hora, mas para guardar.

      Os jornais sumiram e os que restaram estão emagrecendo.  As edições de domingo ainda têm alguns cadernos e algumas folhas, mas sequer lembram às do passado.  Atualmente, a culpa é jogada na Internet, nas redes sociais e nos aplicativos dos computadores e dos celulares.  Quem gosta de jornal que se conforme.  Afinal, já perdemos tantos outros gostos.  No mundo contemporâneo, jornais perdem espaço e nós, leitores, também estamos virando peças de museu, recordações de um tempo que vai se perdendo e, um dia, alguém desavisado apertará a tecla DEL nos apagando de vez.

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