- Holocausto

        

  Em O Globo, matéria assinada por Ana Rosa Alves revela trabalho de Marina Amaral, especialista em colorir fotografias históricas.  A sequência de fotos mostra Cezeslawa Kwoka, adolescente de 14 anos, assassinada no Campo de Concentração de Auschwitz.  O trabalho tem sido ferramenta para ensinar o Holocausto em escolas pelo mundo. 

         Essa história não pode ser esquecida porque foi uma infâmia que vitimou inúmeros seres humanos num sacrifício que servia à ideologia da supremacia racial.  O nazismo sacrificou judeus, ciganos, comunistas, homossexuais,  Testemunhas de Jeová e qualquer pessoa que fosse contra a dominação ideológica de Hitler.  Nos Campos de concentração, seres humanos foram submetidos a “experimentos científicos” degradantes e eram separados com tatuagens de números ou triângulos costurados nas roupas.  Os vermelhos indicavam presos políticos, os azuis eram para imigrantes, homossexuais portavam os de cor rosa e os roxos marcavam as Testemunhas de Jeová.  A Estrela de David segregando judeus é a mais conhecida, mas se enganou quem pensou que - por não ser judeu - estaria livre da prisão.  Qualquer um que representasse “perigo social” tinha possibilidade de se tornar um prisioneiro. Essa informação é importante para derrubar o argumento de alguns que dizem “minha vida não foi alterada” quando defendem a ditadura militar brasileira.  Além desse argumento, há outro também cruel:  “só foi castigado quem merecia”.  Não é bem assim não, as ditaduras não se detém diante de inimigo algum e o problema não é merecer ou não, mas a razão do merecimento. 

         Na escravidão do povo negro, ia para o tronco o escravo que merecia.  E por que merecia? Porque se rebelava contra as correntes ou não queria se submeter ao trabalho forçado.  Um governo não pode ficar acima das leis, da ética, da civilização.  Não se pode impor um castigo degradante porque supostamente o castigado infringiu uma norma de comportamento. 

   As fotos da jovem polonesa assassinada em Auschwitz é um alerta aos que acreditam que, num possível regime ditatorial, ficariam à margem do sofrimento porque “toco minha vida e não me misturo com a bagunça”.  O conceito de desordem é amplo como qualquer ideia discricionária.  Nos Estados Unidos, o presidente quer construir um muro para impedir a entrada de imigrantes indesejáveis.  Quem avalia se o imigrante é ou não indesejável?  O que é ser indesejável num país que já invadiu outros sem perguntar se era bem-vindo?

         A foto colorida da adolescente assassinada em Auschwitz traz para o presente uma tragédia que o preto e branco dava a falsa impressão de que era distante.  O preconceito, o ódio, a destruição e tudo de negativo que ditaduras representam não é um retrato pendurado na parede de um museu.  Os governos de força estão nos cercando em cores,  H D, visão panorâmica e etc.