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-Elite não é cabaré

 

      Elite não é orquestra mas toca uma mesma música para a classe inferior dançar repetindo mentiras como se fossem verdades absolutas.  Para a elite, brasileiro não gosta de ler nem de música boa nem de morar em lugar bonito. Afinal, se brasileiro gostar disso, a elite vai ter de dividir e divisão é operação desconhecida para essa gente.

      Tudo bem que a elite pense assim mas fico admirado com a classe média que comprava carro zero, viajava à Disney e comprava imóvel próprio acreditando que é melhor abrir mão desses benefícios em nome de uma suposta dignidade. E não basta ver o inimigo preso, é preciso submetê-lo à humilhação. E não basta apenas punir o inimigo mas a família e gerações dele como fizeram com Tiradentes.

       Elite não significa a classe rica apenas, mas aquela que, até sem dinheiro, perde regalias quando a ralé avança conquistando espaços nas áreas restritas à nobreza. Existe uma elite falida que, além da grana, corre o risco de ser obrigada a distribuir o conhecimento, o saber, a cultura, o prazer, a beleza, enfim, tudo o que é conhecido como o bom da vida.

      Por isso, a elite espuma ódio, fuzila rancor e exala ressentimento. Em qualquer buraco que conseguem cavar, os representantes dessa casta gritam com olhos esbugalhados que são a esperança de redenção. E há quem acredite. E há quem bata palma. E há quem não perceba (por ignorância ou má fé) que é choro de mau perdedor. E o pior mau perdedor é aquele que pressentindo a derrota esperneia antes que ela aconteça..

      A elite lamenta porque pode perder completamente o domínio do dinheiro, da cultura e do prazer. Quando um brasileiro sai lá do fim do mundo e chega ao Louvre admirando a Mona Lisa, a elite pressente que vai perder o jogo e tenta a retranca para não levar de sete a um

      Se o adversário da elite aceita a estratégia se arrisca a nunca botar a mão na taça.