Leia

       

 

 

 

- E se.....

       

 

 

       Na Internet, circulou a foto de uma mulher negra segurando um cartaz contra o assédio sexual no qual está escrito:

          “Não somos tuas brancas.”. 

         Quem postou pergunta:

             “E se fosse uma branca?”

        A foto parece uma montagem grosseira e a intenção de quem postou é mostrar que negros também seriam racistas e, por detrás dessa estratégia, está uma forma de dizer que o combate a discriminação ao negro é injusta porque não levaria em conta o racismo de quem é negro.

        Racismo deve ser combatido parta de quem partir.  A pergunta “E se fosse uma branca?” não leva em conta que toda mulher tem de ser respeitada seja negra, branca, oriental, judia ou mulçumana.

        Uma menina inglesa, loura e de olhos azuis sumiu em Portugal num caso que ganhou repercussão internacional e inúmeras pessoas postaram na Internet.  “E se ela não fosse inglesa, loura e de olhos azuis?”  O mundo deveria ter a mesma preocupação que teve com a inglesa, loura e de olhos azuis.  Na época, lembrei a novela “Caminho das Índias” de Glória Perez que divulgou inúmeras fotos de crianças desaparecidas.  Meninas e meninos de todas as etnias num horário nobre da tevê brasileira.  Portanto, uma prova de que o mundo não só se preocupa com inglesas, louras e de olhos azuis.

        Um médico foi assassinado na zona sul do Rio por um menor de idade e despejaram as acusações de que o caso gerara tanto interesse porque a vítima esfaqueada pelas costas morava no Leblon.  Então, quem mora no Leblon pode ser executado em via pública? E se a vítima morasse na Rocinha? Não deveria despertar comoção e revolta? Ou se despertasse era só porque morava na Rocinha?

        O argumento se espalha por várias vertentes de pensamento e ideológica.  “E se fosse alguém de uma Ong naquele condomínio?”  “E se fosse alguém da esquerda naquele helicóptero?” “E se fosse um hétero falando isso?” “E se fosse .....?” 

Há sempre um se apontando que o assunto tomaria outro rumo, a acusação teria outro peso e a repercussão seria menor.

        Albertinho Nepomuceno gostava de ameaçar resolver pendências com violência e – questionado sobre o que faria – se fosse chamado de ladrão por algum sujeito, disse:

- Cubro o cara de porrada!!

- E se fosse o José Aldo ou o Anderson Silva?

        Albertinho pensou:

- Processava na Justiça.

        Ainda bem que há alternativa quando pinta o “E se ......”