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- Da monarquia a Monarco

        Sobre o apelido, há duas versões: Hildemar Diniz gostou de um monarca, personagem de um gibi.  Como monarca era feminino, colocou a letra o para tornar a palavra masculina.  A outra conta que ele riu de um sujeito que pronunciou algo parecido com Monarco enquanto lia o Super-homem.  O cara se virou e perguntou: “Rindo de quê, seu Monarco.”.  O apelido pegou.

        Parceiro póstumo de Paulo da Portela em “O quitandeiro”, deliciosa crônica suburbana - “Quitandeiro, leva cheiro e tomate  Pra casa do Chocolate que hoje vai ter macarrão Prepara a barriga macacada  Que a boia tá enfezada e o pagode fica bom.” - Monarco já foi tema de filme dirigido por Lula Buarque de Holanda e Carolina Jabor e teve CD lançado no Japão.  Aos 77 anos de idade, em 2010, lançou o DVD “Monarco, a memória do samba”, um clássico sobre a trajetória desse carioca nascido em Cavalcante que carrega o Rio de Janeiro na obra e na alma. 

        Integrante da Velha Guarda da Portela, Monarco está alinhado com Cartola, Dona Ivone Lara, Mano Décio da Viola e outros nomes que fazem do samba mais do que um ritmo, uma profissão de fé.  Afinal, quem escolhe o samba, faz uma opção de dedicação que só poucos conseguem levar adiante.

        “Numa estrada dessa vida/ Eu te conheci, Oh, Flor!/ Vinhas tão desiludida Mal sucedida Por um falso amor / Dei afeto e carinho Como retribuição Procuraste um outro ninho / Em desalinho Ficou o meu coração”, “Coração em desalinho”, parceria com Ratinho de Pilares, estourou na voz de Zeca Pagodinho.   As desilusões no amor são constantes na obra de Monarco, em “Vai Vadiar”, por exemplo (parceria com Alcino Correa), o problema é que a mulher não se adapta a um lar e gosta de vadiar.  Por isso, não resta ao homem outra alternativa a não ser se resignar e lamentar ter perdido o amor para as madrugas de boemia.

        Em “Tudo azul”, CD de Marisa Monte de 1999, a Velha Guarda da Portela e Monarco ganham homenagem que se torna ainda mais especial com a participação de Paulinho da Viola. Um trabalho para reconhecer o que essa gente fez e faz para o samba assumir espaço relevante na cultura brasileira.  Sob tal ponto de vista, Monarco é um desses baluartes que tornam o samba a resistência da nação. 

Mais do que um gênero musical, o samba é a relíquia que o Brasil precisa para se afirmar culturalmente e Monarco é um de seus guardiões.

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