- Boa notícia.

         

    No rádio, escrevi a abertura de um programa matinal com esse título.  O objetivo era divulgar fatos positivos porque se reclamava que jornalistas só espalhavam notícias ruins.  Com o argumento de que boas notícias não vendiam jornal, atribuía-se à imprensa o hábito de só divulgar o que de mal acontecia.  Daí a necessidade de um quadro ressaltando a “Boa Notícia”.  No entanto, na minha cabeça, batia a dúvida: se tal acusação é verdadeira, a culpa não seria da imprensa, mas do público que só se interessaria pelo trágico, por desastres, mortes, desgraças e etc.

          A mania de culpar a imprensa que, reconheço tem defeitos, continua e está mais acirrada com as declarações do presidente acusando jornalistas de aumentar o poder de uma “gripezinha” na epidemia do Covid-19.  Portanto, além de redimensionar para cima a pandemia, a imprensa insiste em divulgar as mortes causadas pelo mal.  “Cadê as pessoas que foram curadas?!” clamam nas redes sociais.  Uma cobrança que vem sempre com a alegação de que houve casos de cura que não são divulgados.  Se alguém soube de casos de cura é porque houve divulgação.

          A memória dos críticos é seletiva. 

          “Quando estavam roubando por aí, ninguém dizia nada.” 

          Como não se dizia nada? As notícias circulavam e os acusados culpavam a imprensa que só noticiava o que não prestava porque o bom não vende jornal.  O próprio presidente Lula disse isso e ouviu a réplica de que a receita dos jornais saía muito mais das assinaturas na conjuntura vigente no mercado. 

          Por que um anunciante escolheria um programa com desgraças para publicidade de seu produto? Por que o espectador de tevê, o ouvinte de rádio, o leitor de jornal impresso ou virtual escolheria a desdita para se informar?  Masoquistas, sádicos ou mentes deturpadas por sérios desvios de personalidade?

          A imprensa é “imparcial” quando elogia e desvirtua a verdade quando aponta erros.  Já ouvi uma prefeita (de um partido de esquerda) me acusar de criticar o governo dela e não ter me interessado num projeto que realizava num bairro.  Na cabeça da excelência, não deveria ter criticado o que achei ruim porque poderia ter elogiado o que ela achava bom.   Portanto, a imprensa só divulga o erro e nunca o acerto.

          A imprensa tem erros e muitos.  Jornalistas também se deixam levar por interesses escusos.  Cabe a quem lê, vê e ouve analisar.  Eleger a imprensa como inimiga é uma tática antiga e autoritária.  Atribuir aos inimigos erros de governos, é um descuido do cidadão e um truque do governante.

Leia