- Política e apelidos

           

 

 

      Com a proximidade das eleições municipais (que não sejam adiadas por causa da pandemia) já começam a circular carros e anúncios na Internet com apelidos. 

          “Chiquinho do Lava Jato”, “Aninha da Padaria”, “Robertinho do Posto Médico” e vai por aí.  Político assumiu apelido para ser identificado pelos eleitores e há – como se dizia antigamente – alcunhas bem estranhas.  Nos exemplos acima, além do diminutivo de seus nomes, os possíveis candidatos juntaram denominações que indicam locais nos quais trabalham.

           O fato não é novo e nem exclusivo do Brasil.  JK era um apelido, Lula, idem.  Nos Estados Unidos, Jimmy Carter e Bill Clinton, usavam corruptelas de seus nomes próprios.  O primeiro, James; o segundo, Willian.

          Embora apelidos sejam comuns agregando simpatia a uma pessoa e, às vezes, dão importância a quem os carrega: “Águia de Haia”, “Pai da Aviação” ou “Rei”, título que Pelé e Roberto Carlos dividem no Brasil republicano.  O uso indiscriminado na política tem dado um tom meio zombeteiro que pode tirar a seriedade de um candidato.  Há postulantes a cargo político usando ferramentas de trabalho, marcas de automóveis e até defeitos físicos.  Um se apresentava como “Bocão” e o aumentativo de boca é bocarra, mas ele explicava que se referia ao fato de gostar de ir nos lugares sem pagar.  Isto é, “Bocão” não era pelo tamanho da boca, mas porque adorava uma “boca-livre”.

          No Paraná, o governador usa um apelido que herdou do pai, apresentador de tevê, e ainda inseriu um aposto: Júnior.  Quer dizer, o estado – numa análise rígida da nomenclatura do dirigente – tem alguém governando que sem nome.  Afinal, assina com um apelido seguido de um aposto. Isto é, termo da oração na análise sintática que especifica uma palavra.  Inclusive, há gramáticos que defendem o uso da vírgula depois de assinaturas como João da Silva, filho.  Isto porque, filho indica sua filiação e não teria de ser escrito sequer com letra maiúscula. 

          Os apelidos nem sempre representam quem nomeiam.  Há um candidato que se apresenta como “Gigante” e é de baixa estatura, outro, era chamado de “Pequeno” sendo muito alto.  O importante no apelido é ser reconhecido pela base eleitoral, lugar onde o político tem origem e pelo qual promete lutar na Câmara Municipal, na Assembleia Legislativa, etc.

          Os partidos deveriam dar um freio nisso, mas parece que é difícil e os apelidos se espalham tornando as eleições uma confusão na qual reconhecer o candidato vale mais do que suas propostas.  Mais complicado ainda: o nome verdadeiro fica oculto ou em segundo plano.   

          Há uma antiga piada de um sujeito que se apresentou como Zé e o outro corrigiu:

          - José, não é? Zé é um apelido.

           - Zé é apelido.  Meu nome mesmo é BerZÉlio.