- A cantora que morreu de amor.

 

        A Rádio Jornal do Brasil AM era top e  tocava “Parole” (composição de G. Ferrio / L. Chiosso /G. Del Re / Michaelle), versão em francês cantada por Dalida com participação de Alain Delon declamando no meio.  A letra falava que a mulher estava cansada das palavras do homem, dizeres muito gentis que não refletiam a realidade e o vento levava.  Ainda não era época de vídeos musicais frequentes, mas o sucesso de “Parole” foi tanto que circulou um filme com Dalida fugindo de um apaixonado Alain Delon.  Uma linda mulher que exclamava “Parole” e não queria saber de caramelos, bombons e chocolates, presentes com os quais o homem tentava comprar o amor dela.

        Dalida nasceu Iolanda Cristina Gigliotti, no Egito e tinha origem italiana.  Como esse país era protetorado britânico, os nascidos lá nesse período (de 1882 a 1952) recebiam a nacionalidade dos pais.  Aos 21 anos, ganha o título de Miss Egito e começa a aparecer em filmes. 

        Dalida cantava em vários idiomas e chegou a ser uma das maiores vendedoras de discos.  Para se ter uma ideia, ela foi a primeira intérprete a receber o “Disco de Diamante” e estima-se que tenha vendido cerca de 142 milhões de exemplares em toda a carreira.

        Apesar do sucesso, Dalida era uma mulher angustiada cuja extrema beleza não a fazia feliz.  Com homens, teve sucessivos casos fracassados e um aborto que a tornaria estéril, fato que a marcaria terrivelmente e teria sido a causa da sua primeira tentativa de suicídio.  Cada vez que saía de uma crise depressiva, parecia que reconstruiria a vida e o lado amoroso.  No entanto, nada se acertava e Dalida, mesmo festejada em Paris onde se instalaria definitivamente em 1954 no bairro de Montmartre, se declarava infeliz com inúmeros dramas pessoais.

        A lenda conta que Dalida teria encontrado o definitivo amor de sua vida num político francês com carreira promissora.  Casado, ele prometera romper o casamento e assumir a cantora.  No entanto, com chances de ganhar a eleição para a Presidência, o sujeito vacilou porque acabar com o casamento poderia representar uma rejeição do eleitorado.  A cantora se achou traída e se mata aos 54 anos, em 1987.  

        No cemitério de Montmartre, há uma estátua da cantora que é muito visitada e serve de ponto de romaria para a comunidade LGBT.  Em 1980, Dalida gravou “Rio do Brasil”, canção de Charles Level, Mathias Camison e Claude Carrere.  Numa coreografia e cenário que lembram Carmem Miranda, Inclusive, Dalida chega a dar uns requebrados semelhantes aos da “Pequena Notável”.  A letra fala sobre o Rio de Janeiro onde há candomblé, capoeira e seria cenário de uma história de amor. 

         Em Montmartre, um dos locais mais bonitos de Paris, vale a pena conhecer a Praça Dalida e parar diante da estátua da cantora. É bom fazer silêncio, elevar o pensamento e reverenciar a memória dela.  Afinal, alguém que morreu de amor merece todo respeito.