- 455 anos

 

           Em viagem por Sergipe, ouço a guia dizer que o estado é o menor da Federação com 21.910 km².  Lembro que já morei no menor estado da Federação e mínimo  se comparado a Sergipe.  O Estado da Guanabara, criado por causa da transferência da Capital Federal para Brasília, tinha 1 356 km2.

         Aliás, nasci na Capital Federal, cresci no Estado da Guanabara e virei adulto no município do Rio de Janeiro, capital que surge após a fusão da Guanabara com o antigo Estado do Rio de Janeiro.  Uma traição com os flamenguistas que, depois de 1975, ganharam a denominação de fluminenses.

          O regime militar (apoiado por civis) que assumiu em 64 não teve qualquer carinho com o Rio de Janeiro.  A cidade foi desfigurada com monumentos demolidos e dizem que a fusão veio para acabar com o viés oposicionista do município.  Quando se fala isso, os que apoiam a volta do regime de exceção (por incrível que pareça, isso acontece em pleno Século XXI) lembram a Ponte Rio-Niterói e o Metrô, obras importantes financiadas pelo regime excludente que durou vinte anos.  É verdade.  No entanto, para a cidade do Rio, tais obras representaram pouco se comparadas com as executadas pelo Estado da Guanabara.  Basta lembrar a adutora do Guandu, por exemplo, que solucionou o problema da falta d’água, tormento do carioca satirizado pela marchinha de Vitor Simon e Fernando Martins.

        “RIO DE JANEIRO CIDADE QUE NOS SEDUZ DE DIA FALTA ÁGUA DE NOITE FALTA LUZ. ABRO O CHUVEIRO NÃO CAI NEM UM PINGO DESDE SEGUNDA ATÉ DOMINGO.”

              O Rio de Janeiro completa 455 anos com um prefeito que não tem qualquer relação positiva com a cidade, detesta carnaval, réveillon e quer se reeleger dançando música religiosa abraçado ao presidente da República.  Portanto, o viés oposicionista parece perdido e não se viu ainda proveito por causa disso.  

     Somos um povo imprensado entre o mar e a montanha, a milícia e o tráfico, o Cristo Redentor e o fundamentalismo religioso à espreita para destruir nossos símbolos.  O momento é difícil, mas o carioca sempre soube superar as dificuldades.  Assim foi quando deixou de ser Capital Federal para se tornar o menor estado da Federação e ao ser fundido numa nova unidade federativa.

            Neste primeiro dia do terceiro mês, a cidade completa 455 anos.  Um Rio de março que ganhou o nome de Janeiro e tem o ano inteiro para brilhar. 

            Feliz aniversário com um futuro de paz e prosperidade. 

            É o que desejo para a cidade onde nasci e amo.