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                          - Uma vez Flamengo....

 

                      Não lembro quando me tornei Flamengo mas era menino e as cores do clube me influenciaram.  Na lembrança, a conquista mais distante é um campeonato levantado contra o Fluminense num empate no Maracanã.  Admirava Castilho, goleiro tricolor e poderia ter me tornado torcedor do Fluminense, o Botafogo tinha Garrincha deslumbrando crianças e poderia ser torcedor do alvinegro.  Descendente de portugueses pelo lado paterno e com pai vascaíno, poderia ter parado nessa torcida e fui muitas vezes levado por meu pai aos jogos do Vasco.  Por coincidência, eram contra o Flamengo e escolhi o rubro-negro.

        No meu romance, “O Terceiro Cúmplice”, fiz o protagonista cujo sobre sobrenome é Garret, pronunciando o ‘T’ porque é português e não francês, ter a seguinte frase na parede:

 

“Se um dia, a camisa do Flamengo fosse empurrada por um vendaval e ficasse suspensa no ar sem pessoa alguma dentro. Só a camisa entrasse em campo, aquela visão faria tremer o mais corajoso dos adversários"

 

        A escolha me deixou em lado oposto a figuras que admiro: Nélson Rodrigues e Chico Buarque, por exemplo.  Mas me fez feliz por estar junto de Elizeth Cardoso, Ciro Monteiro, Ary Barroso, Jorge Curi e Nélson Gonçalves.  Virei Flamengo e é definitivo como a frase de Jackson do Pandeiro:

              “Flamengo até debaixo d’água!”.

Tive simpatia pelo Corinthians por causa de um primo de meu pai que jogou por lá em meados da década de 60, Ferreirinha e, em Portugal, escolhi o Belenenses por causa do Raul Solnado, humorista que viveu exílio no Brasil fugindo da ditadura salazarista.  Mas nada se compara ao Flamengo cuja torcida é a maior do Brasil, apesar dos inimigos que andaram por aí dizendo que não era bem assim porque um outro time teria o número de torcedores crescendo enquanto a do urubu estacionara. 

     O jogo contra o Grêmio trouxe ao Rio gente de todo o país em busca da emoção de torcer no Maracanã pelas cores do “O Mais querido”.

Há flamenguistas em regiões onde a influência paulista e gaúcha é grande: Mato Grosso do Sul, por exemplo, e, no nordeste, já ouvi relatos de comemoração de títulos do Flamengo como se fosse um time local.

 Já me falaram até que, na capital paulista, a torcida do Flamengo seria grande. Rolou por aí uma pesquisa apontando que seria maior do que a da Portuguesa de Desportos mas não sei se tal estatística seja verdadeira. Afinal, ainda existe bairrismo separando o Rio de São Paulo e assumir ser flamenguista no Brás ou no Morumbi não é fácil. 

        As grandes conquistas flamenguistas estão na década de 80 quando o time juntou Zico, Júnior, Adílio, Leandro, Claudio Adão, Zinho, Zé Carlos e craques inesquecíveis.  Década do título mundial em Tóquio que os adversários não acreditavam ser possível e contestam.  Primeiro, dizendo que o Liverpool foi pego desprevenido e, agora, afirmando que a Fifa (um órgão inquestionável) não reconhece como título mundial.  Ah! E não seria legítimo também porque argentinos não disputaram. Como se os brasileiros levassem os argentinos tão em conta. 

E, como se nada mais importante não tivesse para fazer, o Supremo sentencia que o campeão de 87 foi outro e esse título não pode ser computado no histórico flamenguista.

        O campeão não foi o Flamengo que jogou contra os times mais representativos do futebol nacional nem o que levou maior público aos estádios.  Oficialmente, o campeão foi o outro. No entanto, lembro que “oficialmente” a Alemanha perdeu a guerra e nós ganhamos.  Portanto, nem sempre se deve levar o “oficialmente” ao pé da letra. 

       O importante é que vamos para a final da Libertadores.  Depois desse 5X0, acredito que o Flamengo chegará lá.  Flamengo comandado por Jorge Jesus (que insistem em lembrar sua cidadania portuguesa e legendar as entrevistas dele); com Gabigol, Diego Alves, Arrascaeta, Bruno Henrique, Rafinha, Willian Arão, Gerson........

            Posso até estar sendo precipitado, mas pintou o campeão.

                 Qatar que nos aguarde!!!