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                        - Nos tempos quando escreviam nos cadernos

 

    Embora 'Aquarela do Brasil' seja um hino nacional não oficial, a música de Ary Barroso que mais gosto é 'Risque' - também me encanta 'Caco Velho', composição pouco famosa do flamenguista. 'Risque' - na voz de Dorival Caymi, Linda Batista e Ângela RôRô - é maravilhosa.

            Na letra, o ou a amante pede: "Risque meu nome do seu caderno.". Nestes tempos de agenda eletrônica e memória digital, tem gente que sequer imagina o que esse pedido representa. Equivale ao hoje:

                "Me deleta... me exclui... não me add mais..."

           Naquele momento, para mostrar que estava tudo encerrado, vinha a afirmação de que jamais fariam as pazes:

           "Risque meu nome do seu caderno. Pois não suporto o inferno do nosso amor fracassado."

        Não, não apague com borracha porque fica a marca no papel. Risque bem riscado para que o nome fique ilegível e o contato inutilizado.

          Por incrível que pareça, existia um caderninho no qual escreviam nomes, telefones e endereços. Mas não endereços 'ponto com'. Era rua tal, número tal, apartamento tal.... de vez em quando, podia até pintar 'casa 10', indicando que a pessoa morava numa vila. Ainda existem vilas cercadas por edifícios e assediadas por construtoras.

            No tempo quando se escrevia em cadernos, Ary Barroso compôs 'Risque', música em cujo final - para reafirmar o fim do amor - a letra alerta:

 "Creia. Toda quimera se esfuma. Como a beleza da espuma que se desmancha na areia.".

Quer dizer, toda ilusão se desfaz no ar igual à espuma que some na beira da praia.

A letra dessa música merece estar gravada no disco rígido, no CD, no Pen Drive e - se ainda tiver um caderninho - anote e não risque nunca.