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                 - Façam o jogo!

           

     

       

 

       O prefeito Crivella defende casinos para incrementar a economia carioca.  Por que como senador – que foi durante tanto tempo – não apresentou projetos para a legalização do jogo?  À frente da administração do Rio, o cargo - embora lhe dê cacife para isso-  não é adequado para trabalhar pela legalização do jogo. 

        Casinos eram livres até 1945 quando Eurico Dutra proibiu a jogatina.  Dizem que a decisão foi influenciada pela mulher do presidente que era muito católica e obedecia aos padres, bispos e papa.  A verdade é que havia uma campanha pela proibição do “Inferno verde” assim chamavam a mesa do casino que seria responsável por falências, suicídios e famílias desfeitas. 

         Na pesquisa para escrever o livro “Carmem Costa, uma cantora do rádio” descobri a importância dos casinos na economia nacional e nas artes.  Neles, artistas nacionais e internacionais faziam constantes shows.  Do Casino da Urca para o Casino Icaray, uma barca levava artistas que acabavam de se apresentarem no primeiro e fariam shows no segundo, do outro lado da Baía de Guanabara.

         Não tenho certeza se atualmente os casinos trariam essa maratona de shows para os artistas.  Também não concordo com o argumento contrário à liberação do jogo que fala sobre a lavagem de dinheiro e os negócios ilícitos que a legalização traria.  Parece que não existem essas práticas no país mesmo com jogo proibido.  Proibido até a página 10 porque se joga nas patas do cavalo no Jóquei,  mas não se joga no cavalo inteiro no jogo do bicho. 

         Há bem pouco tempo, bingos funcionavam amparados por uma lei de investimentos em esportes e entrevistei o grupo de jogadores compulsivos.  Gente que tem uma dependência terrível com o jogo que é uma droga para o compulsivo.  Droga igual ao álcool, à cocaína e vai por aí.  Uma das integrantes do grupo revelou que não podia apostar sequer par ou impar porque jamais iria parar de jogar. 

         Sei que muita gente não pode beber um gole de cerveja e a cerveja é liberada.  Esse é o raciocínio de quem se coloca a favor da legalização do jogo que geraria dinheiro, emprego, progresso para regiões do país.  O pessoal lembra logo Las Vegas que surgiu no meio do deserto.  No entanto, os Estados Unidos não são a primeira economia mundial apenas por causa do jogo.  Às vezes, o argumento favorável à liberação parece ver no jogo a salvação do país que não precisaria investir em mais nada se as roletas começassem a rodar por aqui. 

         Particularmente, não me atrai jogo e, nas poucas vezes,  nas quais fui a casinos não me senti bem.  Mas também não sou contra porque há outros hábitos tão ruins quanto a mania de jogar.  E, sempre que o assunto surge, lembro um parente que era doido por jogo.  As pessoas aconselhavam que deixasse o vício e ele dizia: “Eu não sou viciado em jogo. Paro a hora que quiser.” 

         O pessoal ria:

        “Para nada! Duvido você parar de jogar.” 

           E ele fechava:

       “Quer apostar como eu paro?!”

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