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                                                        - Coringa

         

          No jogo de cartas, Coringa assume pontos diversos dependendo em qual sequência se coloca.  Por extensão, no futebol, o jogador capaz de ocupar várias posições em campo e assim se estende à capacidade de se adaptar em inúmeras funções no setor profissional.   Essas definições vem à cabeça de quem assiste ao “Coringa”, filme de Todd Phillips cujo roteiro é do diretor em parceria com Scott Silver.  No papel principal, Joaquin Phoenix está absoluto e convincente apesar do tom alegórico que acompanha a produção.

        Coringa se torna vilão por constatar que falta empatia no mundo, os outros não se colocam no lugar dele.  Por isso, perambula por uma Gotthan Citty atolada em lixo, invadida por ratos e com verbas sociais suspensas.  Assistindo ao filme, um espectador mais crítico pode se perguntar como Batman e Robin se tornaram paladinos do bem num contexto desse.  O Coringa cuida da mãe o que seria positivo em seu caráter, mas há revelações que vão virar essa humanização da personagem.  O destino do Coringa é ser vilão, encarnar o mal e enfrentar os heróis defensores do establishment.  Nestes tempos de politicamente correto, o filme pode encontrar críticas de que incentivaria a maldade, o crime ou tudo que possa representar ameaça à ética.  Embora muitos que defendem a ética no Brasil, justificam ações nefastas em nome de que é preciso não ter ética porque, afinal, combate-se os que antes não tiveram ética alguma.

        O roteiro de “O Coringa” costura situações que parecem reais e, de repente, assumem configurações oníricas quando se fica na dúvida se acontecem ou partem da cabeça afetada do palhaço.  Interessante é que, bem feito, o roteiro consegue não mergulhar a película num tom confuso de difícil entendimento.  O filme não é linear, mas avança com clareza para a plateia.

        A sequência da Gotham City tomada por protestos de palhaços lembra a confusão pela qual diversas democracias passam.  Talvez, a intenção não seja essa, mas – que pode provocar um riso sinistro – tipo o que caracteriza o vilão retratado na trama, isso é bem provável.