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                 Cartas chilenas virtuais

        

 

    “Cartas chilenas”, obra assinada por Critilo, seria escrita do Chile para um amigo brasileiro, mas na realidade se referia à Vila Rica e seus habitantes.  Depois de estudos, especialistas atribuem os textos que circulavam pela cidade mineira no final do século XVIII a Tomás Antônio Gonzaga.  Mas por que ele não assinou com o próprio nome? Porque eram escritos satíricos retratando gente com quem comprar briga não seria aconselhável.  Portanto, “Cartas Chilenas” - assinada por um desconhecido- tinha um poeta relevante como autor.

         Atualmente, circulam textos anônimos assinados por gente conhecida.  Os boatos são antigos e a atribuição de afirmação a pessoas com projeção idem.  Isso porque, alguém com prestígio, tem força ao expressar uma opinião e pode influenciar outros.  Com a expansão da Internet cujo alcance é ilimitado, o hábito se espalha.  Os mais diferentes assuntos são explanados com a advertência de que “Fulano” pensa aquilo e nós devemos, no mínimo, refletir para ter opinião semelhante.

         Mas por que alguém insiste em reenviar? Será que não desconfia que possa não ser verdade? Por que não pesquisa um pouco para averiguar se realmente o texto partiu de quem dizem que escreveu?  Basta conhecer um pouquinho de Clarice Lispector, por exemplo, para perceber que ela jamais escreveria uns textos que circulam por aí.  São “pílulas de sabedoria” sem nada a ver com a obra dela.  Interessante que Clarice Lispector não é popular, mas espalham o texto porque acreditam que a suposta opinião dela será incontestável.  Conclusão: o brasileiro supostamente não lê mas acha que uma escritora do porte de Clarice Lispector tem um peso na formação da opinião dos brasileiros.

         Correu o texto supostamente da Marieta Severo sobre o “Luís” e houve o desmentido com uma das filhas da atriz anunciando a intenção de processar quem escreveu.  Mas seria bom refletir sobre esse caso porque, a intenção de quem o escreveu era atingir Chico Buarque, aliado de Lula, usando o nome da atriz.  Então, uma mulher – só por ter sido casada com um homem – é obrigada a ter opinião igual à dele? E a opinião de uma mulher diferente da de um homem, afronta a quem?!  Além de ser um incentivo a superar divulgação de textos falsos, esse episódio deveria servir para apagar estratégias machistas. 

         Não espalhem textos falsos!! E, como contribuição para tal campanha, vai a seguinte advertência postada no Facebook:

“A Internet é perigosa porque divulga textos assinados por pessoas que não o escreveram.  Eu mesmo estou sendo vítima dessa mania.”

                                             Machado de Assis