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- Nem só as aparências enganam.

     

 

   Em Niterói, numa rua do Ingá, o "Churrasco do Mineiro" faz sucesso num trailer.  Apressadamente, fiz uma reflexão de que churrasco deveria ser do gaúcho porque há um consenso de que o prato vem do Rio Grande do Sul.  "Queijo do mineiro" ou "Tutu do mineiro" seria mais adequado.  No entanto, lembrei que conheci um baiano estressado que vivia nervoso e sempre se antecipando aos acontecimentos.  Esse baiano chegou ao cúmulo de rejeição pelos conterrâneos quando disse que preferia o carnaval de Aracaju ao de Salvador.

      Não só as aparências enganam. 

      Na Itália, comi uma pizza e confesso que já provei no Brasil mais gostosas.  O bolinho de bacalhau em Portugal não é tão saboroso quanto o nosso.  Em Buenos Aires, encontrei argentinos elogiando nosso país e fãs do futebol brasileiro.  Não esqueço um amigo paulista que era lento e preguiçoso, uma prova de que os de São Paulo não são diligentes e só pensam no trabalho.  Conheço dois mineiros, por coincidência, ambos de Barbacena, que, ao contrário do padrão de que gente das Minas Gerais pouco gasta, são perdulários com compulsão de compra.

      Os arquétipos ( Todo e qualquer tipo de modelo; paradigma) nem sempre funcionam.  Sou um carioca pontual que não suporta atrasos.  Ao contrário daquela caricatura de carioca para quem o relógio nada significa, uso o meu cinco minutos adiantado e me irrito com quem marca meio-dia mas pode ser meio-dia e meia, uma hora ou por volta das três da tarde.  Às vezes, até meia-noite.

      Por isso, reprovo quando usam uma ideia pré-estabelecida em relação a qualquer pessoa.  Alemães seriam insensíveis e frios.  Não foi o que vi em Berlim com uma gente sorridente e gentil.  Ainda cheguei a pensar que, por causa do 7X1, os berlinenses tenham passado a nos tratar assim para não nos humilhar demais.  

      Há sempre exceções.  Nem todo paranaense condena sem provas porque tem convicção da culpa alheia.  Nem todo capixaba gosta de moqueca.  No Paraguai, existem lojas vendendo produtos sem falsificação.

             Sempre há exceções.

      Dizem que os nordestinos são religiosos e incapazes de blasfêmias. Engraçado que me falaram sobre um pernambucano que se comparou com Jesus Cristo.  Porém, não lembro quem é.