- Ruas ocupadas

           

 

 

           Com a pandemia, as ruas ficaram ocupadas por sem teto.  Gente que perdeu a renda, o emprego ou já morava ao relento antes e ficou mais visível por causa do pouco movimento. 

A Covid-19 acentuou as diferenças sociais do país e, talvez, seja isso que incentive o negacionismo do presidente e seguidores.  A doença tem de ser menosprezada para que essa brutal desigualdade volte para debaixo do tapete.  É claro que tal abismo social não é de agora e o atual governo nada tem a ver com isso.  Essa é a lógica de quem apoia o capitão que não é culpado pela Educação ruim destruída pela esquerda nem responsável pela Saúde péssima porque foi a esquerda que construiu estádios para a Copa em vez de hospitais.  Mas a Transposição do São Francisco é obra dele e ele inaugura.

            Há quem diga que os moradores de rua têm logística, se instalam nos cruzamentos mais “lucrativos” com uma organização para dividir o que recebem da população.  Atualmente, não pedem esmolas, mas dinheiro para comprar mercadorias que serão vendidas numa atividade que chamam de trabalho.  “Não é dinheiro não.” dizem e fazem o pedido.  Fraldas, lata de leite, doces, etc.   Dizem que as fraldas e as latas de leite são repassadas aos camelôs.

           Faz tempo que a população de rua aumenta e as políticas para evitar essa proliferação são ineficientes.  Fala-se até em direito de viver ao relento que estaria inserido no ir e vir.   Se o Brasil fosse nação de economia justa com distribuição de renda oferecendo opções aos brasileiros, tal argumento teria sentido.  No entanto, dormir debaixo de marquises não é uma opção para quem nunca teve Educação, Saúde, moradia, Segurança.....  vários desses moradores de rua foram expulsos de suas comunidades por traficantes ou milicianos.   Portanto, lançar mão do democrático direito de ir e vir para justificar acampamentos ao relento lembra a glamourização socializante da pobreza que fez crescer favelas pelo território brasileiro. 

            O Covid-19 fez um estrago em projetos da direita. Trump estava certo de que ganharia o segundo mandato.  Ouvia-se que a economia estava bem, o emprego garantido e os interesses americanos em primeiro lugar com um presidente nacionalista.  Atualmente, a situação dele não é confortável com uma rejeição crescente pela negação da enfermidade que levou os Estados Unidos ao primeiro lugar em número de vítimas da pandemia.  A se somar a esse fracasso, veio à tona a discriminação ao negro que o “Caso George Floyd” detonou.

            No Brasil, o projeto neoliberal da direita não avança e a pandemia mostra como a terceirização da Saúde é perigosa.  Sem um plano definido para gerir o país, resta ao presidente e seus apoiadores reprisarem as acusações de corrupção contra governos passados ou possíveis adversários.   Acenando com o monopólio da honestidade, bolsonaristas apontam o dedo para os ladrões que assaltaram o Brasil e em direção aos que perderam a mamata.   Parece que não olham para o próprio rabo no qual se penduram rachadinhas, Queiroz e um aval de correção moral que foi embora com Sérgio Moro.

            No meio dessa tragédia, testemunhei um momento engraçado quando uma moradora de rua pediu ajuda a um cidadão que respondeu estar sem dinheiro. 

- Ali, aceita cartão, moço. – Ela lembrou.

            Afinal, nada mais ultrapassado do que carregar dinheiro vivo.  A não ser, naqueles casos que de vez em quando noticiam por aí.

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