- Rio de Janeiro a janeiro

        A pesquisa revelando que expressiva parcela de cariocas deseja abandonar a cidade repercutiu na Internet.  Vários cariocas se declaravam prontos a abandonar a capital fluminense e enumeravam as mazelas do município para justificar tal decisão.  Outros diziam que já tinham se mudado e não se arrependiam disso.  A impressão que se tem é de que não há problemas em outras cidades nem políticos indesejáveis nelas.  Para o carioca, abandonar o Rio seria a única solução embora alguns até declarem amor à cidade.

        Não é de hoje que ouço o carioca falar mal do Rio.  Havia uma teoria de que, ao deixar de ser Capital Federal, o Rio se deu mal e, com a fusão, o naufrágio se alastrou.  Chagas Freitas era o exemplo de um político inoperante e a expressão “Chaguismo” foi usada como símbolo de uma administração ineficaz.  Leonel Brizola sofreu acusação de cumplicidade com bandidos porque teria ordenado que a Polícia não entrasse em favelas.   

Qualquer um falava mal do Rio e o carioca concordava.  Outras cidades estavam roubando os turistas do Rio e a outrora “Cidade Maravilhosa” se perdia no abandono.  A tudo, o carioca assistia impotente e impassível.  No entanto, embora muitos cariocas tenham saído da cidade, ainda não havia essa opinião de que a única alternativa seria a fuga.  É verdade que os brasileiros se tornaram emigrantes buscando vida melhor nos Estados Unidos, em Portugal e por aí a fora.  Atualmente, cercado por milicianos, traficantes, marginais de toda espécie e políticos corruptos, o carioca se proclama insatisfeito e quer ir embora.  Qualquer lugar está bom, qualquer lugar é melhor.

Saí do Rio, há 36 anos e, a princípio, minha intenção era ficar em Niterói até terminar a faculdade de Jornalismo na Universidade Federal Fluminense.  Porém, conheci minha mulher que vive na cidade vizinha desde criança e fui ficando.  Sentia saudades do Rio muitas vezes e sonhava em me mudar para Copacabana, mas me apaixonei por Niterói e hoje tenho um filho nascido aqui.  Acho difícil uma possível transferência para outro lugar embora, às vezes, me venha a vontade de morar em Lisboa.  Até entrei com pedido de cidadania portuguesa, o que seria impensável na minha juventude.

     Agora, acredito que o Rio possa reverter este quadro de negatividade.  Quem confiou em Sérgio Cabral não poderia imaginar que ele se tornasse tão ladrão.  Havia a opção da Denise Frossard, juíza que mandara para a prisão os chefões do bicho, mas – muitos que viriam a endeusar Sérgio Moro – tinham antipatia por ela.  Witzel foi eleito por uma circunstância de carona no bolsonarismo.  Crivella – que foi ministro petista – é da turma pentecostal que cresce todo dia.  Eduardo Paes – mesmo com um discurso político questionável – teve bons momentos em sua administração. 

O Rio de Janeiro pode mudar sim se o carioca mudar. Não de cidade, mas de postura.  A cidade depende mais da população do que de políticos.  A rota de fuga não pode ser a única solução.  Afinal, muitos procuraram o Rio em busca de uma cidade acolhedora, por que o carioca teria de sair dela?  É difícil, mas possível.  Tomara que o carioca aprenda que falar mal de nossa cidade não deu certo antes e não dará agora.  Já seria um bom começo para a transformação que o Rio necessita.

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