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Atenas com escala em Londres.

         A primeira parte da viagem é Londres que está com um dia ensolarado e calor.  Para um brasileiro, chama a atenção as casas sem grades e uma cidade onde se pode andar a qualquer hora sem perigo de ter o caminho interceptado por bandido armado de fuzil.  Dizem que a democracia foi a responsável pelo aumento da criminalidade no Brasil.   No entanto, a Inglaterra é uma das mais tradicionais democracias do mundo e a segurança existe.  Problemas há.  Principalmente, uso de faca em assaltos porque a lei é mais rigorosa para quem usar arma de fogo.  

Londres é bonita com os parques lotados de pessoas buscando o sol que é raro.  Há ônibus e metrô levando gente sem problemas de aperto e com hora certa.  Há brasileiros olhando essa realidade e suspirando que seria coisa de “primeiro mundo”.  Não se sabe o motivo (há muita teoria) porque tal mundo está sempre distante do Brasil.

Atenas tem um trânsito complicado e a Grécia vive uma crise econômica.  A violência urbana não incomoda, embora, avisem que há batedores de carteira aproveitando qualquer descuido para roubar pedestres.  São ladrões que já agiram nas ruas do Rio em algum lugar do passado quando havia vergonha e medo de roubar.  Por isso, escondiam-se na multidão aproveitando um esbarrão para saquear a vítima.

As ruínas encantam as multidões que se aglomeram no Partenon  e descer a colina é difícil com uma saída estreita onde passa um visitante de cada vez.  No Museu, a revelação de que Apolo se vestia de mulher para performances lembra que no Brasil há artistas com esse mesmo vestuário para apresentações.  Portanto, a transexualidade que incomoda parcela conservadora da sociedade brasileira é longínqua e já foi praticada por deuses, pagãos mas, deuses. 

 O pôr do sol em Milos e Santorini atrai espectadores que se aglomeram no alto da montanha.  A visão é deslumbrante mas, nada muito diferente de Búzios, por exemplo.  A comparação é típica da incoerência do brasileiro que, ou se vê inferior ao “primeiro mundo”; ou tem a soberba de achar a terra brasileira exuberante.  Seria bom encontrar um meio termo que colocasse a “pátria” num lugar merecido.

Atenas é cercada de morros que não são ocupados por moradias irregulares, gregos também culpam as Olimpíadas pelo sufoco econômico.  A comida é saborosa e o vinho idem.  Embora sejam conhecidos pelo azeite que produzem, não há o hábito de colocar esse produto à mesa nos restaurantes.  A língua é complicada com muitos vocábulos no português.  “Kaliméra” é bom dia e o prefixo “kali” pode ser encontrado em caligrafia, “boa grafia”.  

         Gentis e simpáticos, gregos gostam quando o visitante se esforça para falar a língua deles.          Quando se fala “Eukaristó”(obrigado) respondem na hora:  “Parakalo”, de nada.

         Como em outros países da Europa, gregos também arriscam um “obrigado e de nada” diante de brasileiros, povo que não é mais tão desconhecido.  Inclusive, um garçom em Mikonos garantiu que Neymar estará na Copa.